quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Games do passado e Presente:

Games no Brasil: O começo de tudo.


Assim como o canal yougametubebr, apresentado pelo PH, contou a história dos games dividindo de forma bem específica entre as gerações. Farei algo parecido, mas focando aqui na terra da seleção canarinho.
Como bem sabemos hoje o Brasil é um mercado de extrema importância para a indústria gamer. Segundo dados apresentados pela GFK na última BGS, o mercado brazuka faturou mais que Alemanha reino unido e Espanha. Inclusive, graças a promoções e acordos da live e da psn, a venda de produtos originais aumentou em, 25% em relação à última geração. Os líderes de venda como já esperado de uma país que ama o futebol foram Fifa 13 e PES 2013. Como bem sabemos, as indústrias, gamer, musical e cinematográfica vem nos últimos anos movendo fundos e mundos para acabar com a pirataria. Mas esta forma de comércio nem sempre é maligna. Pois foi a pirataria quem deu o ponta pé inicial para que este gigante verde amarelo fosse introduzido no mercado mundial de tecnologias e alternando períodos entre as gerações, era a pirataria quem mantinha a venda de consoles em alta. Pois por culpa do governo os impostos nos produtos originais são extremamente altos o que os encarecem absurdamente. Mas na sétima geração a indústria começou a fazer algo interessante, vender títulos a preços bastante baixos em suas lives, e no caso a psn, distribuindo alguns de graça. Vamos ver como tudo começou?
Para dar uma pequena situada vamos ver um pouco do primeiro console de mesa do mundo. Foi criado por Ralph Baer. Ele dizia que a Tv tinha poucos canais e que em todos eles só passava porcaria.(Aqui no Brasil depois da porcaria mal cagada da lei de cota para produções nacionais na TV a cabo, esta realidade descrita pelo Ralph ainda é bem real por aqui.) Pois bem devido a esta vontade, nasceu o conceito da caixa marrom, onde nela seriam contidos vários jogos para que a Tv finalmente se tornar divertida. E assim em 1972 nasce o Magnavox Odyssey. Mas não deu certo por culpa de uma frase no comercial que dizia assim “compatível com qualquer televisor Magnavox. Seja ele colorido ou preto e branco.” Assim o pessoal acreditou que o console só funcionava em televisores da Magnavox e como este fabricante era focado no pessoal da baixa renda, pouquíssimos tiveram condições de comprar um deles.
Ralph Baer E sua "caixa marrom"
Magnavox Odyssey primeiro console de mesa do mundo





No Brasil o console chegou em 1975, por baixo dos panos. Ou seja, só por contrabando e trazido por quem viajava para os Estados Unidos. Por tanto este console era extremamente caro, pois os contrabanditas eram olho grande e devido a imensa diferença cambial entre o dólar e o cruzeiro, saía ultra mega omega caro para quem ia lá fora comprar. Diga-se de passagem, estamos voltando a esta realidade de moeda fraca.
Oficialmente a primeira geração de games no Brasil só começou em 1984 e durou até 1987. Após a reformulação da “Lei de reserva de mercado” que seu modelo antigo até 1984, manteve o Brasil cogelado nos anos 60. Pois tornava praticamente impossível a importação de eletrônicos, inclusive computadores e vídeo games.
Nesta realidade de “abertura dos portos”, o Atari 2600 foi o primeiro console a ser vendido oficialmente no Brasil, graças as gigantes daqueles tempos principalmente Mapin(são Paulo) e Mesbla(central era no Rio de Janeiro mas tinha filias em todas as capitais). Apesar de ser um tanto caro para a época, o console teve uma ótima aceitação. Na mesma época a channel 3 f e a começa a produzir cartuchos no Brasil.  E assim a empresa paulista Dynacom,  finalmente consegue a tecnologia para começar a produzir consoles.

Phillips Odyssey


O Atari não estava sozinho, a guerra de consoles pegava fogo e era bem equilibrada. O Magnavox Odyssey². Fabricado na zona franca e distribuído pela já conhecida gigante Phillips, e por aqui ele recebera o nome de Odyssey Phillips, uma vez que oficialmente ele era o 1° Odyssey a entrar no Brasil, não faria sentido em manter o nome elevado ao quadrado.  Em relação a potência, gráficos, sons e a aparência, ele era muito inferior aos seus concorrentes, o atari 2600, o Channel 3 f, o Colecovision. Mas o game da Philips tinha uma coisa que os concorrentes não tinham: preço. Este era de longe o console mais original mais barato do mercado.E não era só isso, ele tinha um conceito interessante de embutir vários jogos em um só cartucho, onde se tinha acesso a um determinado jogo ao digitar seu referente código em seu teclado que já era embutido no console. Tal conceito também ajudou a baratear bastante o console.E por ser um console tão barato, não era pirateado, pois não faz sentido piratear algo que já é tão barato.
Colecovision


Channel 3 F

























Mas quem fazia a Atari suar frio no Brasil, não era bem o odyssey, era um exército clones. Dynavision 1 da Dynacom, VG 3000 da CCE e Dactari fabricado por empresa de mesmo nome. O Dynavision e o Vg3000 possuíam uma boa biblioteca de jogos originais, porém o que garantia sucesso para eles era o fato de que muitos deles produziram cartuchos com os títulos da Atari e outros criaram sistemas de adaptadores para cartuchos. Apesar de serem mais baratos e possuírem uma ampla fatia do mercado, todos eram criticados por serem frágeis e de manutenção nula. Dentre as maiores criticas estava os controles do VG3000, o fio era fixo ao console. Quando o controle quebrava, era aquela facada. Vale resaltar que esta critica não era feita apenas ao clone da CCE, o 3 channel f e o Odyssey também eram bombardeados pela mesma razão, porém estes eram mais resistentes. Enquanto para o resto dos clones e dos originais, bastava desconectar o quebrado e comprar um novo. Voltando aos clones, uma vez que devido à pequena diferença de preço entre o conserto e o aparelho novo, muitas vezes era melhor jogar fora e comprar outro. Assim muitos que escutavam as histórias de fragilidade dos clones, acabavam correndo para a o Odyssey que pelo menos era mais resistente.  Outros preferiam continuar com os clones por causa da paixão pelos jogos da atari.
Devido a este relativo sucesso do odyssey, a Phillips “criou” títulos nacionais. Os segredos de Didi na mina encantada um clone de e come-come. Estes eram na verdade Krazy chase, um clone do PAC man e pick axe Pete apenas com o nome da abertura modificado.

Dactari

Dynavision 1


























VG3000 e alguns de "seus" titulos







Em resumo odyssey e os clones eram games do povão, dividindo entre eles 80% do mercado brasileiro. 40% para a CCE, 20% para a Phillips 15% para a Dynacom, 5% para Dactari.  O atari 2600 era de playboy, possuindo os últimos 15% e a grande maioria de suas vendas eram do estado de São Paulo. 3% para channel 3 f e 2% para Colecovision. O SG-1000, o primeiro console de mesa da Sega, nunca chegou ser vendido oficialmente no Brasil, ficando restrito a colônias japonesas, pois era trazido por pessoas destes lugares que viajavam para o Japão.
Em 1987, o público já estava cansado dos velhos títulos da Atari e do Odyssey. Então uma jovem empresa brasileira fecha uma bem sucedida parceria com um titã que começaria a travar uma verdadeira guerra no mercado de games. Quem é essa empresa e quem é a gigante?


Não percam o próximo capitulo.

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